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	<title>Discutindo a Relação</title>
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	<description>Num mundo que nunca esteve tão dividido em lados que não se ouvem mais e, por não se ouvirem, perdem a capacidade de aprender uns com os outros, DR é um blog que se propõe a abrir espaço para discutir a relação num sentido amplo – com a(o) companheira(o), com a(o) amiga(o), com os pais, com os filhos, com os irmãos, com a(o) chefe, com o governo, com Deus, com a sociedade, com o planeta.</description>
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		<title>O meu olhar é nítido como um girassol, por Alberto Caieiro*</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 14:31:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[alberto caieiro]]></category>
		<category><![CDATA[girassol]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/girassol.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/girassol.jpg" alt="" title="girassol" width="400" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-2486" /></a></p>
<p>&#8220;O meu olhar é nítido como um girassol.<br />
Tenho o costume de andar pelas estradas<br />
Olhando para a direita e para a esquerda,<br />
E de vez em quando olhando para trás&#8230;<br />
E o que vejo a cada momento<br />
É aquilo &#8230; <a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/?p=2485" class="read_more">Leia mais >></a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/girassol.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/girassol.jpg" alt="" title="girassol" width="400" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-2486" /></a></p>
<p>&#8220;O meu olhar é nítido como um girassol.<br />
Tenho o costume de andar pelas estradas<br />
Olhando para a direita e para a esquerda,<br />
E de vez em quando olhando para trás&#8230;<br />
E o que vejo a cada momento<br />
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,<br />
E eu sei dar por isso muito bem&#8230;<br />
Sei ter o pasmo essencial<br />
Que tem uma criança se, ao nascer,<br />
Reparasse que nascera deveras&#8230;<br />
Sinto-me nascido a cada momento<br />
Para a eterna novidade do Mundo&#8230;<br />
Creio no mundo como num malmequer,<br />
Porque o vejo. Mas não penso nele<br />
Porque pensar é não compreender&#8230;</p>
<p>O Mundo não se fez para pensarmos nele<br />
(Pensar é estar doente dos olhos)<br />
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo&#8230;</p>
<p>Eu não tenho filosofia; tenho sentidos&#8230;<br />
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,<br />
Mas porque a amo, e amo-a por isso<br />
Porque quem ama nunca sabe o que ama<br />
Nem sabe por que ama, nem o que é amar&#8230;</p>
<p>Amar é a eterna inocência,<br />
E a única inocência não pensar&#8230;&#8221;</p>
<p>*Alberto Caeiro, em &#8220;O Guardador de Rebanhos&#8221;, 8-3-1914</p>
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		<title>Qual é o defeito que sustenta o seu edifício?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 23:05:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR]]></category>
		<category><![CDATA[clarice lispector]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/edificio_implodido.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/edificio_implodido-300x280.jpg" alt="" title="edificio_implodido" width="300" height="280" class="alignleft size-medium wp-image-2480" /></a>O título deste post foi extraído da seguinte frase de Clarice Lispector: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”  Encaro as palavras da escritora não como mera metáfora literária – aliás, nada que venha de Clarice é só o que parece ser - , mas como um sério aviso aos que teimam sair por aí apontando o defeito dos outros como se estivessem prestando um serviço de utilidade pública. Aliás, quem pode afirmar que realmente sabe qual é o defeito que sustenta o seu próprio edifício?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/edificio_implodido.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/edificio_implodido-300x280.jpg" alt="" title="edificio_implodido" width="300" height="280" class="alignleft size-medium wp-image-2480" /></a>O título deste post foi extraído da seguinte frase de Clarice Lispector: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”  Encaro as palavras da escritora não como mera metáfora literária – aliás, nada que venha de Clarice é só o que parece ser &#8211; , mas como um sério aviso aos que teimam sair por aí apontando o defeito dos outros como se estivessem prestando um serviço de utilidade pública. Aliás, quem pode afirmar que realmente sabe qual é o defeito que sustenta o seu próprio edifício?</p>
<p>Já vivenciei tantos processos de autoconhecimento que faria o mais interessado dos leitores deste blog correr imediatamente daqui caso resolvesse listá-los agora. Ouso apenas dizer que esse longo e intermitente mergulho me ajudou a aprender muito sobre mim e, em especial, sobre meus defeitos, imperfeições, sombras&#8230; enfim, o nome da coisa é o que menos importa. O que importa é que saber não significa necessariamente resolver, embora o ato de dar-se conta de um problema pode, sim, ser um passo importante para resolvê-lo – mas não necessariamente. Você pode conhecer muito sobre seus defeitos, mas, de tão focado neles, talvez não consiga viver sem eles.</p>
<p>Conheci, certa vez, um psiquiatra que acreditava que dor e prazer são vasos comunicantes. Ele me dizia: “Você pode diminuir sua dor focando-a e indo cada vez mais fundo em suas origens ou olhar para o prazer, com vistas a ampliá-lo. Qual dos dois caminhos você prefere?” De bate-pronto, é claro que ninguém escolheria o caminho da dor, mas, na prática, o que acontece? Parece que adoramos olhar para nossa dor, falar sobre nossa dor, abraçar nossa dor. Ela dá uma espécie de valor a nossa existência, como se justificássemos nossa missão de vida pelo grau de sofrimento – quanto mais sofrido, mais nobre a missão. Não é à toa que a imagem universal do Cristo seja um homem crucificado todo ensanguentado.  O sofrimento pode ser irresistível&#8230; Em acidentes envolvendo veículos, levante a mão quem não dá aquela paradinha para descobrir alguma vítima deitada no asfalto.</p>
<p>Gosto da ideia de imaginar sombras ou qualquer outra força que denominemos de maligna como um bem fora de época ou de contexto. Quando olho para minhas próprias sombras, consigo de fato perceber que algumas foram essenciais para minha sobrevivência, mas hoje, defasadas no tempo, só atravancam minha vida. Assim, aquilo que é o mal hoje já foi o bem um dia. Reações emocionais impulsionadas pela descarga incontrolável de adrenalina já nos livraram de servir de jantar para leões, mas hoje nos impedem de ouvir críticas e julgamentos. Sentimo-nos atacados pelas palavras do outro e, como se ainda estivéssemos frente a frente com leões, fugimos ou, dependendo de nossa avaliação da fera, partimos para o ataque. </p>
<p>Criamos sombras para nos proteger de um mundo hostil, mas, quando a hostilidade cessa, nos esquecemos de apertar o botão de desliga. Camada por camada, vamos montando nossa cebola de defeitos ou &#8211; para usar a metáfora que eu e Clarice achamos mais apropriada &#8211; andar por andar, vamos construindo nosso prédio, de baixo para cima, sem parar, um andar apoiado no outro. Gostemos ou não, moramos nesse prédio, aprisionados por nossos próprios medos e, como avisa Clarice, “nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” Portanto, se por acaso você achar que já descobriu o seu defeito, desconfie.  O problema pode estar bem mais embaixo. </p>
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		<title>Ela o chama, ele finge que não ouve, por Antonio Prata*</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 22:12:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[antonio prata]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/diálogo-1.png"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/diálogo-1-300x272.png" alt="" title="diálogo (1)" width="300" height="272" class="alignright size-medium wp-image-2473" /></a>Parece sem graça, mas três décadas de treinamento transformam um jogo da velha na batalha de Waterloo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/diálogo-1.png"><img class="alignright size-medium wp-image-2473" title="diálogo (1)" src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/diálogo-1-300x272.png" alt="" width="300" height="272" /></a>Ela o chama, ele finge que não ouve, e a isso se dedicam há mais de 30 anos. Claro, têm também outras ocupações: ele é advogado, ela é assistente social, há o pôquer às terças e o almoço na irmã, às quintas, mas não empenham nessas atividades metade da energia ou do método envolvidos em chamá-lo e não ouvi-la.</p>
<p>Falando assim parece fácil e sem graça, mas três décadas de treinamento transformam qualquer jogo da velha na batalha de Waterloo, de modo que é preciso observar a cena com a atenção de quem lê um poema ou desarma uma bomba (ou lê um poema E desarma uma bomba) para descobrir todos os meandros ali escondidos.</p>
<p>O volume no qual ela o chama, por exemplo, deve ser meticulosamente calculado: não tão baixo que dê a ele a possibilidade de realmente não ouvi-la nem tão alto a ponto de tornar impossível fingir não havê-la escutado. Pois não ouvir também requer atenção e esmero. Digamos que eles se encontrem no corredor, frente a frente, e ela o chame: difícil fazê-la crer que não escutou. Como em toda arte, verossimilhança é fundamental. É preciso estar em outro cômodo, é preciso que passe um carro na rua, é preciso estar deitado sob a pia, vedando um sifão -afastado, portanto, distraído, portanto, concentrado, portanto-, para ter legitimado seu silêncio. Aí sim ele pode espraiar toda a sua agressividade, colocando na mulher a diabólica pergunta: não terá mesmo me ouvido ou apenas finge, calado?</p>
<p>Passados alguns segundos, ela o chama outra vez, um pouco -mas só um pouco- mais alto. Nada. Vem então a terceira chamada. O terceiro vazio. Eis o ápice. É uma casa cheia de gás, à espera da fagulha, uma bexiga aproximando-se da agulha, o segundo antes do trovão, e a regra é clara, Galvão: quem gritar, perde.</p>
<p>Será ela a urrar o nome dele, aliviando o ódio, mas baixando a guarda e dando-lhe a chance de encaixar um direto -&#8221;Eu tava lá no escritório!&#8221;, &#8220;Tá barulho na rua!&#8221;, &#8220;Eu tô aqui consertando o sifão!&#8221; -, ou ele é quem responderá, esgoelando-se -&#8221;Que é, caramba?!&#8221;, abrindo para ela a oportunidade de tripudiar, &#8220;Tô te chamando há horas!&#8221;, &#8220;Tá completamente surdo!&#8221;, &#8220;Cê precisa usar aquele aparelhinho do tio Laurindo!&#8221;?</p>
<p>Há, claro, inúmeras variações neste jogo e seria preciso uma edição inteira do caderno &#8220;Equilíbrio&#8221; para falar de todas. Às vezes, por exemplo, quando ela o chama baixo demais, ele responde imediatamente, como que negando, assim, toda a história das hostilidades e os antigos crimes de guerra. Noutras ocasiões, estando frente a frente, ela o chama quase gritando &#8211; um comentário sarcástico e nada sutil sobre a vida a dois nos últimos 30 anos.</p>
<p>Vendo de fora, a tendência é pensar que ela é a vítima e ele o algoz. Que nela está a carência e nele o poder de supri-la -ou negar-se a-, mas na verdade é mais complexo. Não há condutor ou conduzido nesta dança, é um jogo sem vencedores e sem fim, um jogo tão secreto quanto barulhento, uma metástase que já não pode ser extirpada, que aos poucos não está mais só em chamá-lo e não ouvi-la e, quando menos se espera, é capaz de colocar num &#8220;bom dia&#8221; a violência de uma facada.</p>
<p><em>* Publicado originalmente no Caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo de 25/4/12</em><strong></p>
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		<title>Amor pra recomeçar</title>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 23:01:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarissa Porciuncula</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor pra recomeçar]]></category>
		<category><![CDATA[barao vermelho]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/amor-pra-recomeçar.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/amor-pra-recomeçar.jpg" alt="" title="amor pra recomeçar" width="319" height="322" class="alignleft size-full wp-image-2459" /></a>Estava no supermercado quando a música ambiente me chamou a atenção e o refrão não saiu mais da minha cabeça. “Desejo que você tenha a quem amar/  E quando estiver bem cansado/ Ainda exista amor pra recomeçar”.  Era a música do Frejat “Amor pra recomeçar”.Bateu fundo de repente e ouvi o quão profunda é a letra. Toda ela. Foi como se eu nunca a houvesse escutado antes. E nunca escutei mesmo, não dessa forma. Ouvir músicas, ler livros, assistir a filmes que já conhecemos em diferentes momentos da vida nos faz rever conceitos, analisar sentimentos e nos observar. Reavaliar nosso próprio caminho, tão cheio de histórias de nós mesmos.“Desejo que você tenha a quem amar”. Quem ama ou já amou sabe o quanto é importante esse sentimento em nossas vidas. Que transforma, frutifica, nos faz sofrer, nos faz crescer. Desejar sinceramente isso a alguém é um desejo especial. Um presente]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/amor-pra-recomeçar.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2459" title="amor pra recomeçar" src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/amor-pra-recomeçar.jpg" alt="" width="319" height="322" /></a>Estava no supermercado quando a música ambiente me chamou a atenção e o refrão não saiu mais da minha cabeça. “Desejo que você tenha a quem amar/ E quando estiver bem cansado/ Ainda exista amor pra recomeçar”. Era a música do Frejat “Amor pra recomeçar”.Bateu fundo de repente e ouvi o quão profunda é a letra. Toda ela. Foi como se eu nunca a houvesse escutado antes. E nunca escutei mesmo, não dessa forma. Ouvir músicas, ler livros, assistir a filmes que já conhecemos em diferentes momentos da vida nos faz rever conceitos, analisar sentimentos e nos observar. Reavaliar nosso próprio caminho, tão cheio de histórias de nós mesmos.“Desejo que você tenha a quem amar”. Quem ama ou já amou sabe o quanto é importante esse sentimento em nossas vidas. Que transforma, frutifica, nos faz sofrer, nos faz crescer. Desejar sinceramente isso a alguém é um desejo especial. Um presente.</p>
<p>Ser amado é muito importante, nos deixa seguros e confortáveis, mas amar é mais ainda. Amar nos transforma, nos desenvolve e nem sempre nos conforta, ao contrário, sofremos mais, pois o aprendizado pelo amor é doloroso, exige de nós mais compreensão sobre quaisquer que sejam as pessoas a quem amamos como amigos, família, companheiros e também ao nosso próximo, mesmo que desconhecido. Exige, acima de tudo, que compreendamos nossos próprios sentimentos e ações ou, simplesmente, que sejamos mais compreensivos com nossas limitações e com as limitações alheias.</p>
<p>“Quando estiver bem cansado” faz também parte desse aprendizado por que amar para si pode cansar. Pode ser quando você se dá conta de que não pode fazer o outro, o ser amado, atender aos seus anseios. Voce pode se cansar, dar um basta à forma como vive, cansar-se da relação, do outro, de si mesmo, de como reage aos sentimentos e acontecimentos. Cansar-se. De tudo. Somos humanos.</p>
<p>“Ainda exista amor pra recomeçar”. Talvez o grande aprendizado do amor seja esse. Mesmo desgastados, tristes, cansados após uma vida curta ou longa do amor ‘verdadeiro’, aquele que constrói, aquele que comunga &#8211; não o narcisista, não o controlador, pois esses sentimentos não são amor, pelo menos não do amor que falo aqui &#8211; que ainda exista amor pra recomeçar, pois ele não morre, não acaba, não se esvai. Uma vez que você ama é como andar de bicicleta, não se esquece mais, por que o amor está dentro de nós, uma vez apreendido é nosso. Se pudermos compartilhar com nosso alguém especial, aí sim, tiramos a sorte grande e podemos e devemos recomeçar sempre que ele cansar, porque nosso amor também precisa ser revitalizado para que não fique entorpecido. Nem ele nem nós mesmos.</p>
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		<title>Verdades para jogar na cara</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 21:04:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/sinceridade1.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/sinceridade1-300x236.jpg" alt="" title="sinceridade1" width="300" height="236" class="alignright size-medium wp-image-2448" /></a>Nesses tempos onde expressar-se é, mais do que um direito, uma obrigação, tenho visto muita gente por aí usando a sinceridade para destilar veneno e impor suas verdades. E, depois quando obtém como resultado a raiva ou, pior, a indiferença alheia, acusa o outro de injusto ou incompreensivo. Afinal, a pessoa, pobrezinha, só estava sendo sincera.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/sinceridade1.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/05/sinceridade1-300x236.jpg" alt="" title="sinceridade1" width="300" height="236" class="alignright size-medium wp-image-2448" /></a>Nesses tempos onde expressar-se é, mais do que um direito, uma obrigação, tenho visto muita gente por aí usando a sinceridade para destilar veneno e impor suas verdades. E, depois quando obtém como resultado a raiva ou, pior, a indiferença alheia, acusa o outro de injusto ou incompreensivo. Afinal, a pessoa, pobrezinha, só estava sendo sincera.</p>
<p>“Sou responsável pelo que falo, não pelo que o outro escuta.” Quando o renomado biólogo Humberto Maturana disse essa frase, ele referia-se ao fato de que cada  um ouve o outro a partir de crenças e valores absolutamente próprios e inescrutáveis para a pessoa que fala. Só aquele que escuta sabe o que escutou do que o outro disse. Por isso, “sou responsável pelo que falo, não pelo que o outro escuta”.  Por outro lado, essa mesma frase, em suas inúmeras variações, vem sendo empregada com uma intenção que vai muito além da aceitação de que cada um de nós constrói os significados para tudo o que vê e ouve a partir de uma visão particular de mundo. Ela virou disfarce para o orgulho, para a intolerância e para a tentativa, consciente ou não, de impor verdades únicas, sem direito a que o outro se defenda, sob o risco de ser acusado de injusto. “As pessoas não suportam ouvir a verdade”, se indignam os donos da verdade. “Sou uma pessoa autêntica, não sou política”, defendem-se, quando, na realidade, querem dizer que têm o direito de atacar os outros à vontade. “Eu digo o que penso mesmo, doa a quem doer. Quem não me aceitar como sou, não me merece.” E eu pergunto: isso é sinceridade? </p>
<p>O cantor Gilberto Gil, então Ministro da Cultura, disse em uma entrevista que a hipocrisia é uma ferramenta da civilidade. “O exercício da hipocrisia se refere a um modo de ser civilizado, necessário à convivência entre as pessoas.” Oscar Wilde defendia que muita sinceridade pode ser fatal. O Marquês de Maricá, preocupado provavelmente em definir uma ética para a sinceridade, afirmava que “a sinceridade imprudente é uma espécie de nudez que nos torna indecentes e desprezíveis”. No entanto, quando o alvo de nossa “sinceridade imprudente” se indigna, nos espantamos. “As pessoas não suportam ouvir a verdade”, repetimos nosso mantra, nós que pertencemos ao seleto grupo das pessoas que suportam ouvir a verdade. E eu pergunto: será mesmo? </p>
<p>Será que quem se diz autêntico e, por isso, fala o que pensa, doa a quem doer, suporta ouvir as “verdades” que os outros pensam sobre ele ou ela? Já me peguei várias vezes com uma vontade enorme de dizer poucas e boas sobre o que penso desse tipo de atitude. Sinto um impulso quase incontrolável de jogar umas boas verdades na cara de certas pessoas. Por sorte, tenho resistido à atração de partir para cima dos que fazem da sinceridade uma arma contra a humanidade. Porque se eu desembuchasse minhas verdades em cima dessa pessoa, estaria fazendo exatamente o que recrimino. Sei bem o que é isso, pois já pratiquei incontáveis vezes a arte da crueldade disfarçada de sinceridade. E nada como alguém que já tenha se esbaldado no pecado para falar em detalhes sobre o pecar. </p>
<p>De vez em quando, ainda me pego em atos de “sinceridade irrestrita” que não estão nem aí para os sentimentos alheios.  Então me lembro de outra frase do professor Maturana, uma em que ele define o ato de amar como sendo o reconhecimento do outro como legítimo outro. “Amar é o domínio das condutas relacionais através das quais uma pessoa surge como legítima outra na convivência com alguém.” Por isso, antes de dizer que o novo penteado dela está horrível, pare, pense e perceba que o horrível é apenas o que você acha do penteado dela e não necessariamente o que, de fato, é. E aí aproveite para se perguntar se há mesmo algum problema com o penteado do outro ou se é a sua lente que, de tão velha e viciada em ver sempre a mesma coisa, não consegue distinguir nada além de si mesma.  </p>
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		<title>Da esquizofrenia ao prazer compulsório, um olhar sobre a cultura doentia do trabalho</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 12:54:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/04/prazer-compulsorio.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/04/prazer-compulsorio.jpg" alt="" title="prazer compulsorio" width="640" height="458" class="aligncenter size-full wp-image-2430" /></a>No início de minha carreira, trabalhei numa empresa americana reconhecida como ótima empregadora. Tanto é que a maioria dos funcionários era composta por gente com muito tempo de casa. Até que um dia, pressionada pelos maus resultados, apareceu com um pacote para estimular demissões voluntárias. Os “cabeças brancas” foram os primeiros a se candidatar. Com 25, 30 anos de serviços prestados, diziam que iriam pegar a grana do pacote e curtir a vida. Que nada! Muitos entraram em depressão, subitamente conscientes da falta de sentido em suas vidas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/04/prazer-compulsorio.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/04/prazer-compulsorio.jpg" alt="" title="prazer compulsorio" width="640" height="458" class="aligncenter size-full wp-image-2430" /></a>No início de minha carreira, trabalhei numa empresa americana reconhecida como ótima empregadora. Tanto é que a maioria dos funcionários era composta por gente com muito tempo de casa. Até que um dia, pressionada pelos maus resultados, apareceu com um pacote para estimular demissões voluntárias. Os “cabeças brancas” foram os primeiros a se candidatar. Com 25, 30 anos de serviços prestados, diziam que iriam pegar a grana do pacote e curtir a vida. Que nada! Muitos entraram em depressão, subitamente conscientes da falta de sentido em suas vidas.</p>
<p>Nossos pais e avós entendiam o trabalho como um espaço onde você ganha o dinheiro para poder usufruir de sua vida quando não está trabalhando. Você colocava o paletó e se transformava num robozinho e, depois de executar suas tarefas, tirava o paletó e voltava à sua condição humana. A imagem é forte, mas o fato é que muita gente vivia nessa cultura visivelmente esquizofrênica. Suspeito que muita gente ainda viva, embora, para mim, isso possa ser tudo menos viver. Tanto é que não é de se espantar que meus amigos “cabeças brancas” sonhassem com a aposentadoria, esse tão esperado momento onde, finalmente, iriam viver tudo aquilo que haviam deixado de viver em nome dessa dicotomia trabalho-lazer, vida profissional-vida pessoal.</p>
<p>Se essa crença já me deixava os cabelos em pé quando eles ainda nem brancos eram, imagina o que provoca aos jovens de hoje! Ela os empurra para o outro extremo. Eles têm que se divertir no trabalho, têm que se apaixonar pelo trabalho, o trabalho tem que ser o espaço de realização de suas vidas! Se antes, então, o trabalho tinha que ser o espaço onde você se anulava para poder conquistar sua liberdade em algum lugar no futuro, agora o trabalho passou a ter que ser o espaço onde você conquista sua liberdade o tempo todo. Nesse novo espaço de exigência, não cabem sacrifícios ou frustrações. E você conhece algum trabalho onde, vez ou outra, isso ocorra? Sacrifícios e frustrações fazem parte da vida. Não aceitá-los é tão doentio quanto se apegar a eles. Continuamos impondo um modelo ditador sobre nossas vidas. O poder apenas mudou de mãos. Ao invés do sacrifício compulsório, o prazer compulsório.</p>
<p>Transfira esse modelo para as relações. Antes, observava-se como algo comum gente que engolia relacionamentos sem amor, em nome dos filhos ou para preservar uma determinada condição financeira. Hoje a separação é a via mais fácil e rápida. Sacrifícios? Jamais! Frustrações? Nunca! O casamento é uma instituição falida! Quantas vezes você não ouviu isso? Quantas vezes você não pensou isso?</p>
<p>Não acredito que meu trabalho seja minha única fonte de realização. Como não acredito que meu casamento também seja. Assim como acho perfeitamente normal que, às vezes, eu passe por sacrifícios e frustrações em meu trabalho e em meu casamento. </p>
<p>Apostar todas as fichas numa única possibilidade é criar uma expectativa impossível de ser cumprida a longo prazo. O universo é tão cheio de possibilidades, que, por mera questão estatística, já valeria muito a pena imaginar que a felicidade está diluída na força do conjunto e não numa obra isolada.</p>
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		<title>Custe o que custar</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 19:15:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/04/the-wall.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/04/the-wall-300x138.jpg" alt="" title="the wall" width="300" height="138" class="alignleft size-medium wp-image-2423" /></a>Estava eu procurando na matéria da minha vida, como sempre faço, algum tema que me motivasse o suficiente para escrever um post, quando recebo este comentário aqui sobre algo que escrevi há quase quatro anos: <strong>“...o Fábio é um cara sem vergonha, vc de fato Fabio é um ordinário. Devia levar uma grande lição.”</strong> O texto que suscitou a ira desta e de outras leitoras pode ser conferido aqui ao lado, porque há anos está entre os mais populares. 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/04/the-wall.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/04/the-wall-300x138.jpg" alt="" title="the wall" width="300" height="138" class="alignleft size-medium wp-image-2423" /></a>Estava eu procurando na matéria da minha vida, como sempre faço, algum tema que me motivasse o suficiente para escrever um post, quando recebo este comentário aqui sobre algo que escrevi há quase quatro anos: <strong>“&#8230;o Fábio é um cara sem vergonha, vc de fato Fabio é um ordinário. Devia levar uma grande lição.”</strong> O texto que suscitou a ira desta e de outras leitoras pode ser conferido aqui ao lado, porque há anos está entre os mais populares. </p>
<p>“Olhar para outras mulheres pode ser considerado um ato de traição?” foi a forma que encontrei para falar do instinto masculino do caçador, mas já fui tantas vezes mal-interpretado que só não o exclui ainda porque, mesmo que eu tenha exagerado na tinta, mesmo que eu esteja terrivelmente equivocado em meu ponto de vista, ainda assim tenho o direito de expressar minha opinião, assim como fez a leitora. A diferença, talvez, resida no fato de que eu não me dirigi a ela ou a nenhuma mulher especificamente quando escrevi esse texto, mas tão somente falei de mim, eu, homem, casado, pai de família, profissional liberal, cidadão brasileiro, pagador de impostos e, principalmente, livre, livre para acertar e para errar no caminho do viver, livre para ir e vir e para expressar minhas próprias opiniões, minhas ideias sobre a vida e sobre o mundo.</p>
<p>A esse respeito, Voltaire, um conhecido defensor das liberdades civis, tem uma frase ótima, que não me canso de repetir: “Odeio todas as suas ideias, mas lutarei até a morte para que você  tenha o direito de expressá-las.” Esta é a história de minha vida: lutar para que qualquer pessoa possa defender suas ideias, até mesmo quando eu as odeio – odeio as ideias, não as pessoas. É comum que se confundam as ideias com as pessoas que as defendam. Já há tempos vivemos um processo de coisificação que, infelizmente, não parece arrefecer e que provavelmente contribua para essa confusão. Para mim, ideias são roupas que vestimos. Só nos servem enquanto nos servem. Eu tenho um apreço especial por roupas novas, embora não descarte aquelas que fizeram parte de momentos importantes de minha história. Mas não me apego a nenhuma delas. A única ideia que não abro mão é essa: a do direito de expressar a ideia que for.</p>
<p>Meu querido professor, biólogo e pesquisador renomado, Humberto Maturana diz que somos totalmente responsáveis pelo que falamos, assim como igualmente irresponsáveis pelo que os outros escutam do que falamos. Não sei de onde a leitora que dirige sua ira a mim disse o que disse, mas não tenho como me responsabilizar pela forma como ela me escuta, se é que me escuta. Ela até que dá uma pista de onde, talvez, esteja me escutando, em outro comentário postado sobre o mesmo texto: “Ao ler o seu texto e mtos comentarios por aqui, chego à conclusão que a maioria, com certeza, não tem Deus na sua vida nem sabe o poder da Oração. Sexo, sexo e mais sexo?? Hum&#8230; Deixa ver o k me faz lembrar&#8230; hum&#8230; ah sim! Um animal na selva, kem sabe um burro (eles têm muita testosterona) ou mesmo um hipopotamo. Legal! rsrs&#8230;”</p>
<p>Lamento que ainda exista essa visão de um deus – a caixa baixa é intencional – punitivo e castrador. Mas também essa é uma ideia que, tanto quanto as minhas próprias ideias, tem o direito de ser defendida. No entanto, quando ela é usada intencionalmente como instrumento para atacar alguém, ela já não é mais uma ideia, e sim uma arma. Não acredito que Deus – esse Deus universal que não se aprisiona em nenhuma igreja ou religião – tenha nos dado a liberdade de expressão para que a utilizemos para o ódio e a destruição. Mas até mesmo esse direito, o de usar nosso poder para o mal, também é um direito nosso. Só não espere que eu vá afagar a mão que me agride ou a boca que me lança palavras envenenadas. Se não uso o mesmo tom para me defender, certamente não é por falta de vontade; é simplesmente porque ainda acredito que há nesse mundo uma força crescente e envolvente em direção à tolerância e ao respeito entre os seres viventes. Não estou, portanto, sozinho. Não me sinto nunca sozinho em meu espaço de viver e conviver na liberdade de expressão. E a melhor forma de lhe responder à altura, cara leitora, é dando publicidade a seus comentários. </p>
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		<title>100 dias entre o céu e a terra</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 09:08:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[bem estar]]></category>
		<category><![CDATA[biologia cultural]]></category>
		<category><![CDATA[diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/alegria.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/alegria-300x225.jpg" alt="" title="alegria" width="300" height="225" class="alignright size-medium wp-image-2392" /></a>A ideia surgiu no meio de uma semana do curso de Biologia-Cultural, especificamente, no dia 13 de julho de 2011. Com o tema do trabalho de conclusão a ser realizado em grupo devidamente definido, faltava encontrar um caminho onde me sentisse mais à vontade para dar minha contribuição, uma forma onde eu me percebesse, verdadeiramente, no fluir da conservação do bem-estar. Mas antes de apresentar essa ideia, gostaria de discorrer um pouco sobre o tema, de modo a expressar minha visão particular sobre ele.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/alegria.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/alegria-300x225.jpg" alt="" title="alegria" width="300" height="225" class="alignright size-medium wp-image-2392" /></a>A ideia surgiu no meio de uma semana do curso de Biologia-Cultural, especificamente, no dia 13 de julho de 2011. Com o tema do trabalho de conclusão a ser realizado em grupo devidamente definido, faltava encontrar um caminho onde me sentisse mais à vontade para dar minha contribuição, uma forma onde eu me percebesse, verdadeiramente, no fluir da conservação do bem-estar. Mas antes de apresentar essa ideia, gostaria de discorrer um pouco sobre o tema, de modo a expressar minha visão particular sobre ele.</p>
<p><strong>Em primeiro lugar, por que o tema bem-estar?</strong></p>
<p>Para mim, o bem-estar é um tema fundamental para a Biologia-Cultural, na medida em que, pelo que compreendi do que ouvi ao longo dos três anos do programa de formação, a relação organismo-nicho e as coordenações de coordenações de sentires íntimos, emoções e fazeres ocorre por meio de coerências consensuais estabelecidas entre os diferentes organismos que se inter-relacionam &#8211; coerências que se estabelecem a partir do processo de autopoiesis, na medida em que todo organismo se  produz a si mesmo e, assim, biologicamente, tende a buscar sua autopreservação indefinidamente. E a autopreservação de qualquer ser vivo depende de o mesmo encontrar continuamente as condições para que possa se autoproduzir. Quando não se pode mais conservar essas condições, cessa o viver desse organismo. Ao conjunto dessas condições, presentes tanto na relação organismo-nicho, quanto na relação entre os diferentes organismos, podemos nomear simplesmente de bem-estar.</p>
<p><strong>Como e por que ampliar a visão sobre o tema?</strong></p>
<p>Nos grupos de diálogo da Biologia-Cultural, experimentamos a possibilidade de aprofundar nossa reflexão sobre como fazemos o que fazemos e abrir nossa escuta para o olhar do outro sobre si mesmo e sobre nós – sobre como e de onde o outro vê a si mesmo fazendo o que faz e sobre como e de onde o outro nos vê fazendo o que fazemos. Os grupos de diálogo propiciam, portanto, a ampliação da visão do observador e o aprofundamento do próprio processo reflexivo. Cada membro do grupo faz isso a partir de si mesmo – a partir de como vê a si mesmo operando em seu viver. A proposta é que, além desse exercício reflexivo sobre o bem-estar dentro do grupo, o trabalho de conclusão do curso de formação em Biologia-Cultural possa trazer novos olhares sobre o tema – olhares que ampliem a visão sobre a conservação do bem-estar além das fronteiras do próprio grupo e até da formação em Biologia-Cultural. Para tanto, cada membro do grupo pesquisou, a sua maneira, como outras pessoas entendem e vivem o bem-estar, partilhando o material coletado com os demais membros do grupo. Dentro do princípio reflexivo-recursivo da Biologia-Cultural, o objetivo é que o material coletado pudesse, a partir de si mesmo, colaborar para gerar mais material. E o que começou com um convite individual dentro do próprio grupo para refletir sobre o bem-estar e seguiu para convites dirigidos a terceiros, que também acabaram participando dessa rede de conversações.</p>
<p>Entendo que cada membro do grupo teve a oportunidade de escolher sua maneira particular de colaborar para a ampliação da visão sobre o tema, identificando um processo colaborativo coerente com seu viver no bem-estar. Em outras palavras, o próprio processo de construção do trabalho já é em si um processo ampliador de visão, na medida em que aceita e inclui a forma de contribuição de cada um como legítima. A forma que encontrei para fazer isso apareceu em uma ideia antiga, já experimentada em outros tempos, um diário.</p>
<p><strong>Quais são minhas questões, anseios e hipóteses</strong>?</p>
<p>Quando endereço a mim a pergunta “o que é bem-estar?”, só consigo respondê-la quando a coloco em meu viver. Transformada em ação, ela finalmente ganha significado. Por isso, achei natural tentar respondê-la no movimento, às vezes lento, às vezes rápido de minha vida nesse “presente contínuo cambiante”. Iniciei essa jornada na hipótese de que, ao registrar meus momentos cotidianos de bem-estar e, assim, torná-los conscientes a mim mesmo, talvez pudesse, de alguma forma, conduzir meu viver mais nesse fluxo que me anima do que em seu contrário. </p>
<p><strong>Minhas questões de partida</strong></p>
<p>Será que, se eu ampliar minha visão e tornar-me mais consciente sobre o meu bem-estar, registrando o que antes passava despercebido, minha vida realmente irá se transformar em torno disso? O fato de me manter consciente sobre meu bem-estar me permite fazer escolhas que conduzam o meu viver por um caminho mais de bem-estar do que de mal-estar?</p>
<p>Há também nessa proposta uma intenção de experimentar um processo reflexivo contínuo apreciativo, que foca como seu objeto o bem-estar e não o mal-estar. Isso não significa, no entanto, que eu pretenda excluir qualquer pensamento ou sentimento de mal-estar, que, eventualmente, possa surgir no caminho. A própria forma que escolhi para realizar esse projeto traz em si algo de mal-estar, pois estou firmando um compromisso de registrar diariamente meus momentos de bem-estar, e só o fato de me sentir obrigado a isso já causa algum desconforto. Por outro lado, também me conecto com o prazer incrível que experimentei quando, no auge de minha adolescência, me comunicava diariamente comigo mesmo por meio de um diário. Em cadernos e blocos de anotações, registrava pensamentos, sentimentos e fazeres numa dinâmica operacional que me foi essencial para enfrentar um momento de muita dúvida e solidão em meu viver. Em outras palavras, um diário foi capaz de me tirar do mal-estar para me reconduzir ao bem-estar. Sou muito grato a ele por isso, e foi com essa energia que me conectei para repetir o experimento em um novo momento de meu viver. </p>
<p><strong>Reflexões sobre o modus operandi do experimento</strong></p>
<p>Como registrar os, possivelmente, muitos momentos de bem-estar que posso ter ao longo do dia? Que plataformas pretendo utilizar? Que critérios irei empregar para definir o que deve ou não ser registrado?</p>
<p>A partir dessas perguntas, defini, a priori, que iria gravar os registros de bem-estar em meu celular, que, sempre à mão, me pareceu um recurso de fácil utilização, inclusive, no trânsito. Num segundo momento, percebi que, em situações onde, de alguma forma, estou impedido de usar o celular – por exemplo, em um evento público-, também seria útil fazer anotações em um pequeno bloco de papel do tipo moleskine. Depois de algum tempo, senti necessidade de organizar e formalizar os registros em arquivos de Word separados por data. E, terminado o experimento, tomei a decisão de publicar a maior parte dos registros em meu blog pessoal (www.discutindoarelacao.com). O objetivo era criar mais uma oportunidade para me ler e, portanto, prosseguir refletindo recursivamente, ao mesmo tempo em que também abriria um espaço para ampliar a reflexão para outras esferas e grupos sociais.</p>
<p>Qualquer que fosse o recurso empregado para os registros, o fato é que não me importei muito com o critério do que deveria ou não ir para o “diário”. A seleção era, na maior parte das vezes, instantânea, sem muito tempo para grandes racionalizações, na medida em que acontecia no momento seguinte à experiência mesma, o que acabou por conferir uma espontaneidade muito grande aos registros.  Nesse aspecto, pode-se dizer que o principal critério para discriminar um momento de conservação do bem-estar em meu viver tinha muito mais a ver com uma sensação, uma consciência corporal, do que um processo de validação mental. Tanto é que, não raras vezes, me surpreendi ao distinguir situações de bem-estar que, antes, passavam totalmente despercebidas.</p>
<p><strong>O bem-estar já está aqui</strong></p>
<p>Reproduzo abaixo os dois primeiros registros do “diário”:<br />
- Depois que chupo a bala Halls de cereja, fica um friozinho deliciosamente refrescante na garganta.<br />
- Logo após registrar no gravador de meu celular o prazer que é chupar a balinha, derrubo duas no piso do carro e, antes de me abaixar para procurá-las e causar algum acidente, começo a rir de mim mesmo. Em segundos, reflito como rir dos erros que cometo é prazeroso, na medida em que me liberta da punição.</p>
<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/garoto-comendo-melancia.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/garoto-comendo-melancia-300x255.jpg" alt="" title="garoto comendo melancia" width="300" height="255" class="alignleft size-medium wp-image-2393" /></a>Como se vê, apareceram coisas simples, sem trombetas ou fogos de artifício. Na maior parte do tempo, foi exatamente isso o que emergiu: situações cotidianas que, destacadas por um olhar mais apreciativo e que se conecta com as necessidades e desejos do corpo, tornam-se surpreendentemente sublimes e inesquecíveis. E, assim, o que é tratado como cotidiano e, portanto, repetitivo, ressurge como inédito. Até mesmo quando uma situação parece se repetir, sinto-a absolutamente diferente, percebendo as diferenças em suas inúmeras sutilezas. Este foi o caso da situação de bem-estar observada mais de uma vez quando parei meu carro para dar passagem para os pedestres atravessarem a rua pela faixa de segurança. Em certo sentido, havia algo de dejavú – eu parando o carro, o pedestre caminhando em câmera lenta e me sorrindo, nossos olhares se cruzando -, mas o contexto era outro, as pessoas, o local do encontro, o tempo em que cada cena acontecia.  E a sensação de bem-estar funcionava como uma espécie de código capaz de relacionar uma situação à outra. Era como se o sentimento fosse o mesmo, uma sensação comum de conexão com pessoas desconhecidas, repentinamente destacadas pelo meu olhar – mais do que isso, ao observá-las em meu caminho de conservação de bem-estar, elas não apenas ganharam vida, ou seja, passaram a existir para mim, como tornaram-se importantes na medida em que foram identificadas como participantes de meu processo de autoconservação. Essa prazerosa e surpreendente sensação de conexão com indivíduos até então desconhecidos se repetiu muitas e muitas vezes ao longo dos 100 dias do experimento.</p>
<p>Em diversos momentos, tive a nítida sensação de que meu corpo – e aqui não separo o corpo da mente ou do espírito – já fez escolhas e continua fazendo escolhas que me levam à conservação de meu bem-estar, mesmo que eu não me dê conta delas. Parece que a consciência surge depois dessas escolhas. Mais do que isso, a consciência as revela – revela a mim mesmo as escolhas que faço e não me dou conta no momento em que as faço; percebi que de algumas dessas escolhas, inclusive, só me dou conta muito tempo depois de as fazer. </p>
<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/i-am-happy.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/i-am-happy-300x199.jpg" alt="" title="i am happy" width="300" height="199" class="alignright size-medium wp-image-2394" /></a>Percebo claramente uma inteligência nesse processo de selecionar o que me faz bem, como algo inerente ao meu processo de autopoiesis – e essa inteligência parece existir em algum lugar além da consciência, atuando num nível bem mais profundo. Pergunto-me se focalizar propositalmente minha atenção nesse processo é o que teria permitido que essa consciência emergisse. E o que vi, repito, foram situações, na grande maioria, muito simples, que eu já havia experimentado de uma maneira ou de outra, porém, sem distingui-las pela observação, é como se elas nunca tivessem acontecido, como os sonhos que não se consegue lembrar ao acordar.</p>
<p><strong>Nem tudo são flores</strong></p>
<p>Um de meus maiores temores – algo que não foi totalmente explicitado no início do experimento, mas que apareceu em seu transcorrer em diversas reflexões -, era o de me apaixonar pelo olhar apreciativo de tal maneira que criaria um mundo ilusório, onde eu visse tudo em tons de rosa. Realmente, me peguei no dilema de registrar ou não situações de mal-estar que acabaram aparecendo no meio do caminho. Na grande maioria das vezes, decidi registrá-las, o que acabou se revelando um exercício de grande aprendizado, na medida em que nenhuma situação específica, seja de mal-estar, seja de bem-estar, se mostrou duradoura a ponto de eu me sentir apegado a ela. Conclui que isso significa que quando o mal-estar aparecia como uma desconfortável pedra no meio caminho, era apenas uma pedra no meio do caminho. Depois de me recuperar do tombo ou da dolorosa topada com o dedão do pé, logo lá estava eu de novo vivendo alguma situação de bem-estar, o que me fez concluir que o bem-estar é realmente a tendência predominante de meu viver. </p>
<p>Em um ou outro episódio, as duas situações pareceram acontecer de maneira concomitante. Como exemplo desse fenômeno que observei durante o experimento, cito o dia em que fui informado do falecimento de meu sogro. Estávamos eu, minha esposa e meus filhos de férias nos Estados Unidos e me senti dividido entre a tristeza da perda de uma pessoa muito querida para mim e a alegria por estar com minha família num contexto paradisíaco. A dor e o prazer estavam em mim ao mesmo tempo, e eu não sabia se chorava ou se sorria. Ao refletir sobre essa situação, recordei-me da cerimônia de meu casamento, realizada apenas dois meses após o falecimento de minha mãe e onde também experimentei o conflito interior de viver dois sentimentos que eu considerava – e ainda considero – opostos. Tanto em uma como em outra experiência, observei que, apesar de parecerem opostos, alegria e tristeza, dor e prazer podem muito bem se manifestar no mesmo espaço-tempo, o que me leva a refletir que, nesse tipo de contexto, eles surgem muito mais como complementares do que como opostos.</p>
<p><strong>A volta à vida mundana cotidiana</strong></p>
<p>Embora eu nunca tivesse me comprometido que iria produzir um diário de verdade, ou seja, um registro dia-a-dia, observei que, no primeiro terço da experiência, foi comum realizar mais de um registro por dia. Essa frequência foi se espaçando conforme a experiência evoluía, chegando, em alguns períodos, a cinco/seis dias sem que eu tomasse qualquer nota. </p>
<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/circulo_vicioso.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/circulo_vicioso-300x203.jpg" alt="" title="circulo_vicioso" width="300" height="203" class="alignleft size-medium wp-image-2400" /></a>Quando reflito sobre esse fenômeno, penso que vivi um conflito interno importante entre a necessidade de realizar a tarefa e o prazer de deixá-la fluir naturalmente. Desse conflito, parece que a disciplina ficou em desvantagem, porque tão logo completaram-se os 100 dias, não mais me motivei a registrar os momentos que distinguo relacionados à conservação de meu bem-estar. </p>
<p>Sem a prática regular, observo que voltei a cair no moto-contínuo da não-consciência, experimentando novamente a sensação de que algo valioso estaria escapando de minhas mãos. Essa volta a um modo de operar onde não me dou conta de meu bem-estar tem gerado, por si só, uma sensação de profundo mal-estar. Deduzo que antes eu vivia sem focalizar o mundo com essa lente e, portanto, não possuía um comparativo. A experiência de ter utilizado essa lente talvez tenha criado um componente a mais de pressão em direção a um estado de mais consciência. Percebo isso no exato momento em que escrevo essas linhas e me vem a vontade de prosseguir com o “diário”. Para isso, tenho como claro que precisarei abrir mão por enquanto de algum percentual de liberdade para permitir que um pouco de disciplina me ajude a praticar algo que, já foi devidamente experimentado, de fato me faz muito bem. Quem sabe a prática regular produza musculatura suficiente para que eu possa prosseguir de modo mais orgânico e espontâneo. E aí, talvez, como normalmente se dá com a atividade física, depois de algum tempo a endorfina resultante do esforço contínuo se encarregue de que esse modo de operar mais presente e consciente se incorpore de vez a  meu viver.</p>
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		<title>Dá para ter razão E ser feliz?</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 00:12:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ter razão e ser feliz]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/ser-feliz-ou-ter-razao.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/ser-feliz-ou-ter-razao.jpg" alt="" title="ser feliz ou ter razao" width="350" height="429" class="alignleft size-full wp-image-2412" /></a>Ultimamente, tenho ouvido bastante a pergunta “você prefere ter razão ou ser feliz?” Embora ser feliz faça muito sentido para mim, não entendo porque para ser feliz seja necessário perder a razão. Não dá para ter os dois ou o direito à felicidade é exclusivo para quem não tem razão e para os que são chamados de loucos? Não acho que perdi a razão – pelo menos, não o tempo todo – nem me acho louco – pelo menos, não o tempo todo -, mas me julgo um sujeito feliz – claro, não o tempo todo. Aliás, quando olho a minha volta, só vejo gente tentando ser feliz – tentando o tempo todo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/ser-feliz-ou-ter-razao.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/03/ser-feliz-ou-ter-razao.jpg" alt="" title="ser feliz ou ter razao" width="350" height="429" class="alignleft size-full wp-image-2412" /></a>Ultimamente, tenho ouvido bastante a pergunta “você prefere ter razão ou ser feliz?” Embora ser feliz faça muito sentido para mim, não entendo porque para ser feliz seja necessário perder a razão. Não dá para ter os dois ou o direito à felicidade é exclusivo para quem não tem razão e para os que são chamados de loucos? Não acho que perdi a razão – pelo menos, não o tempo todo – nem me acho louco – pelo menos, não o tempo todo -, mas me julgo um sujeito feliz – claro, não o tempo todo. Aliás, quando olho a minha volta, só vejo gente tentando ser feliz – tentando o tempo todo!</p>
<p>Quem casa não quer apenas casa, quer ser feliz a dois. Aliás, ninguém casa só para constituir uma família. Nos juntamos com outro diferente de nós e fazemos filhos como parte de nosso projeto de felicidade. Ou não nos juntamos a ninguém, nem fazemos filhos pelo mesmo motivo. Podemos até ficar nos lamentando estando num ou noutro estado, mas se reclamamos é porque estamos infelizes &#8211; queremos, portanto, fazer as pazes novamente com a felicidade e a imaginamos em algum outro lugar, já que, onde estamos, ela não mais habita.</p>
<p>Já ouvi que o objetivo de uma empresa é ganhar dinheiro e não buscar a felicidade. Mas por que uma empresa iria querer ganhar dinheiro se não fosse para deixar seus donos felizes? E quem doa praticamente metade de seu dia a uma empresa, pode até não se dar conta, mas faz isso para ser feliz. Dinheiro compra, sim, felicidade. Quem diz o contrário é porque ainda não parou para pensar em tudo o que o dinheiro pode propiciar. Dinheiro paga contas, financia sonhos, dá segurança&#8230; Mas só o dinheiro não basta &#8211; assim como só a relação a dois, só a família, só o trabalho, só o lazer, só qualquer coisa. </p>
<p>Quem tem quase nada, passa o tempo desejando o que não tem. E, mesmo que se tenha muito de uma coisa só, não há Cristo que garanta uma felicidade que perdure. Ter muito de uma coisa só, mesmo que seja dinheiro, no fundo, é o mesmo que não ter nada, é viver na escassez. E felicidade é abundância, que pode tanto ser muito de tudo, quanto pouco de cada coisa. Só isso explicaria a felicidade que se pode encontrar em gente simples, que vive humildemente, mas que está sempre com um sorriso no rosto. É gente que tem um pouco de dinheiro, um pouco de amigos, um pouco de lazer, um pouco de família, um pouco de paz, um pouco de paixão, um pouco de tudo. </p>
<p>Pessoas que têm um pouco de tudo têm sido meus maiores mestres. Elas me ensinam que, quando divido meu tempo entre as muitas coisas que me fazem feliz, multiplico minha felicidade, mesmo que isso signifique abrir mão de ter uma ou outra coisa mais do que outra. Dinheiro, por exemplo. Razão, com certeza. Prefiro ter um pouco de razão a ter toda a razão. Porque o ser humano é, por natureza, um ser social. Quando divido a propriedade da verdade com as pessoas que encontro, percebo que podemos compartilhar da felicidade de juntarmos nossas pequenas parcelas de razão e construirmos juntos algo que faz muito mais sentido</p>
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		<title>Diário do Bem-Estar (Dia 100/100)</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Mar 2012 00:37:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fábio Betti</dc:creator>
				<category><![CDATA[DR]]></category>
		<category><![CDATA[bem estar]]></category>
		<category><![CDATA[biologia cultural]]></category>
		<category><![CDATA[conflito]]></category>
		<category><![CDATA[diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/02/homem-na-corda-bamba-sob-o-mar-acima-de-sereias.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/02/homem-na-corda-bamba-sob-o-mar-acima-de-sereias-300x200.jpg" alt="" title="homem na corda bamba sob o mar acima de sereias" width="300" height="200" class="alignright size-medium wp-image-2374" /></a>Curiosamente – coincidência? -, o centésimo dia desde que decidi iniciar um processo reflexivo contínuo sobre o meu bem-estar por meio de um diário, fui confrontado com duas situações onde diferentes pessoas estavam vivendo conflitos importantes, onde pude me dar conta de suas necessidades, o que me permitiu ajudá-las a se conectar umas com as outras por meio dessas necessidades – na verdade, todas elas pareciam estar cobertas de razão em suas posições, porém não conseguiam perceber os sentimentos que estavam atrás dos  argumentos –ancorando-os -, o que as levava a uma discussão do tipo “quem tem razão” ou a partir para o jogo “resta uma verdade”. Ao convidá-las para refletir sobre os sentimentos do “outro lado”, pude ajudá-las a se conectarem com o outro lado e, a partir deste lugar, tomar decisões que levavam em consideração a verdade do outro. Perceber que esse diálogo se processava me energizou tanto que, quando voltei ao curso de Biologia-Cultural no meio de uma atividade lúdica que remetia às brincadeiras de infância, entrei com tal facilidade que parecia que as situações que eu havia vivido instantes atrás eram também uma grande brincadeira. (20/10/2011)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/02/homem-na-corda-bamba-sob-o-mar-acima-de-sereias.jpg"><img src="http://www.discutindoarelacao.com.br/wp-content/uploads/2012/02/homem-na-corda-bamba-sob-o-mar-acima-de-sereias-300x200.jpg" alt="" title="homem na corda bamba sob o mar acima de sereias" width="300" height="200" class="alignright size-medium wp-image-2374" /></a>Curiosamente – coincidência? -, o centésimo dia desde que decidi iniciar um processo reflexivo contínuo sobre o meu bem-estar por meio de um diário, fui confrontado com duas situações onde diferentes pessoas estavam vivendo conflitos importantes, onde pude me dar conta de suas necessidades, o que me permitiu ajudá-las a se conectar umas com as outras por meio dessas necessidades – na verdade, todas elas pareciam estar cobertas de razão em suas posições, porém não conseguiam perceber os sentimentos que estavam atrás dos  argumentos –ancorando-os -, o que as levava a uma discussão do tipo “quem tem razão” ou a partir para o jogo “resta uma verdade”. Ao convidá-las para refletir sobre os sentimentos do “outro lado”, pude ajudá-las a se conectarem com o outro lado e, a partir deste lugar, tomar decisões que levavam em consideração a verdade do outro. Perceber que esse diálogo se processava me energizou tanto que, quando voltei ao curso de Biologia-Cultural no meio de uma atividade lúdica que remetia às brincadeiras de infância, entrei com tal facilidade que parecia que as situações que eu havia vivido instantes atrás eram também uma grande brincadeira. (20/10/2011)</p>
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