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Alguém já disse que toda grande arte está fundada na incapacidade que um ser humano tem de se comunicar com outro. Acontece todos os dias. Uma pessoa quer falar com você, dizer qual é seu ponto de vista, expor alguma idéia, tratar de um assunto cotidiano. E você acha que já sabe aonde essa pessoa quer chegar. Nem bem o outro diz duas ou três palavras e você já se põe a "adivinhar" a frase inteira. Você se esforça para não interromper, ou para não demonstrar seu desinteresse ou impaciência. Até mesmo sem perceber que está fazendo isso, você concentra seu olhar entre as sobrancelhas do interlocutor. Talvez seja um mecanismo para dar à outra pessoa a impressão de que a está olhando nos olhos. Talvez você não queira olhar nos olhos da outro pessoa por saber que seu olhar revelará justamente impaciência e desinteresse. Você se esforça. Mas talvez não seja esse o caminho.
E, ainda que nos esforcemos para ouvir os outros, a verdade é que raramente os ouvimos. Você olha no rosto da pessoa, ouve o som de sua voz, mas se distrai e nem distingue as palavras, pois está pensando: "Como é que eu, que gosto tanto de ouvir o som de minha própria voz, ficarei aqui calado, ouvindo isso? Além de ouvir, terei de prestar sincera atenção no que diz? E, mais ainda, eventualmente concordar com sua opinião?"
É nessa dispersão que nos perdemos do presente, preocupados com o tempo que o outro nos "rouba", essa sensação que o gênio de Noel Rosa registrou em samba: Seja breve, seja breve, senão acabo perdendo o controle e vou cobrar o tempo que você me deve.
04-11-2008 16:52 Caco de Paula Categoria , Eles Falam
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Alguém já disse que toda grande arte está fundada na incapacidade que um ser humano tem de se comunicar com outro. Acontece todos os dias. Uma pessoa quer falar com você, dizer qual é seu ponto de vista, expor alguma idéia, tratar de um assunto cotidiano. E você acha que já sabe aonde essa pessoa quer chegar. Nem bem o outro diz duas ou três palavras e você já se põe a "adivinhar" a frase inteira. Você se esforça para não interromper, ou para não demonstrar seu desinteresse ou impaciência. Até mesmo sem perceber que está fazendo isso, você concentra seu olhar entre as sobrancelhas do interlocutor. Talvez seja um mecanismo para dar à outra pessoa a impressão de que a está olhando nos olhos. Talvez você não queira olhar nos olhos da outro pessoa por saber que seu olhar revelará justamente impaciência e desinteresse. Você se esforça. Mas talvez não seja esse o caminho.