{"id":245,"date":"2007-11-14T05:31:53","date_gmt":"2007-11-14T05:31:53","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-11-04T23:26:50","modified_gmt":"2010-11-04T23:26:50","slug":"o-amor-e-cego-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/?p=245","title":{"rendered":"O amor \u00e9 cego?"},"content":{"rendered":"<p>Em busca de inspira&ccedil;&atilde;o para escrever sobre este tema, pedi ajuda a alguns amigos. <\/p>\n<p>Luis Fernando, engenheiro e empres&aacute;rio, disse que outro dia sua esposa falou que o amava e ele &ndash; para surpresa dela, suponho &ndash; teria respondido: &ldquo;amor, que trem &eacute; esse?&rdquo; <\/p>\n<p>A psic&oacute;loga Clarrisa, colega de velhos tempos de PUC, foi bem mais fundo. Olha s&oacute;: &ldquo;Em nossas rela&ccedil;&otilde;es amorosas, via de regra, procuramos algum tra&ccedil;o &#8211; ou o sentimos instintivamente-&nbsp; no outro que nos remete a um v&iacute;nculo vivido anteriormente ou a uma refer&ecirc;ncia que temos de &lsquo;parceiro ideal&rsquo; em nosso inconsciente. N&atilde;o me estenderei no que tange a busca da mulher por uma similaridade do pai. Nem no homem a busca pela similaridade da m&atilde;e. Essa similaridade, quando a encontramos, geralmente n&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel ou compreens&iacute;vel aos nossos olhos ou sensa&ccedil;&otilde;es, pois trata-se de algo extremamente subjetivo e absolutamente individual. Mas a quest&atilde;o &eacute; que, em raz&atilde;o dessa &lsquo;procura&rsquo;, muitas vezes quando encontramos &ndash; sentimos &#8211; essa &lsquo;similaridade subjetiva&rsquo;, acabamos por nos encantar pelo&nbsp; ideal do &lsquo;par perfeito&rsquo;, por uma fantasia que criamos involunt&aacute;ria e inconscientemente. Esse sentimento n&atilde;o &eacute; controlado ou racional. Mas, na verdade, a cegueira do amor reside em nossa fantasia. Acabamos muitas vezes por n&atilde;o ver o outro como &eacute; , e sim como fazemos com que seja.&rdquo; <\/p>\n<p>Caraca! S&oacute; de pensar que h&aacute; uma chance de eu ter procurado minha m&atilde;e em outras mulheres, j&aacute; fico apavorado. Nesse caso, acho melhor ser cego mesmo! <\/p>\n<p>O jornalista Antonio Carlos, sujeito matuto, acostumado a contar causos curiosos, recorreu a alguns exemplos, digamos, ex&oacute;ticos&#8230; <\/p>\n<p>&ldquo;Darlene Gl&oacute;ria, atriz do passado, que depois converteu-se a uma religi&atilde;o cujo nome n&atilde;o lembro, inclusive mudando de nome e tomando o cuidado para apagar digitais deixadas nos filmes em que participou, bandeou-se para um traficante e com ele foi feliz por muitos anos. <\/p>\n<p>Simoni, sim, a pr&oacute;pria, aquela menina doce do Turma do Bal&atilde;o M&aacute;gico, quando j&aacute; mulher, alinhou-se a um rapper que estava cumprindo pena e com ele &eacute; feliz, segundo leio por a&iacute;. <\/p>\n<p>O bar&atilde;o Von Dust, alem&atilde;o de &oacute;tima cepa e historiografia milenar impec&aacute;vel, veio ao Brasil fugindo do &oacute;cio germ&acirc;nico e do inverno sem sal, para aqui descobrir, na quadra da Portela, um rebolado que mudaria para sempre o seu jeito de ver o mundo. Casou-se com uma morena tra&ccedil;&atilde;o nas 4 e a levou para morar com ele num castelo nos arredores de Dusseldorf. <\/p>\n<p>Dona Maria das Dores, natural de Crato, Cear&aacute;, beata de padre C&iacute;cero Rom&atilde;o Batista, e a quem entrevistei para minha tese na ECA (sobre o impacto dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o), disse-me que jamais voltou a ter um homem depois que enviuvou, isso 20 anos atr&aacute;s, tal a presen&ccedil;a marcante de seu Raimundo, o falecido, em sua vida.&rdquo; <\/p>\n<p>E agora, ser&aacute; que d&aacute; para chegar a alguma conclus&atilde;o? Seria o amor, de fato, cego? <\/p>\n<p>Mas antes de responder, eu pergunto: sabe o que h&aacute; de comum nos tr&ecirc;s relatos? O lado absolutamente incomum do amor. <\/p>\n<p>O amor n&atilde;o &eacute; cego n&atilde;o! Cegas s&atilde;o as pessoas que olham para o amor do outro e n&atilde;o v&ecirc;em nada, porque s&oacute; o outro enxerga o amor que est&aacute; sentindo. &Eacute; s&oacute; ele que sabe o que &eacute; esse amor, o quanto esse amor &eacute; importante para ele, o quanto ele o preza e, muitas vezes, depende dele para viver. Porque &eacute; preciso viver o amor dentro de si para poder v&ecirc;-lo, nessa experi&ecirc;ncia &uacute;nica, individual e, portanto, intransfer&iacute;vel e incompreens&iacute;vel ao outro &ndash; incompreens&iacute;vel at&eacute; ao outro que &eacute; o objeto amado, posto que ele n&atilde;o &eacute; sujeito desse amor. Ele s&oacute; &eacute; sujeito do pr&oacute;prio amor, o &uacute;nico, de verdade, que ele consegue sentir e, portanto, ver. <\/p>\n<p>Por esse motivo, escolhi a tela &ldquo;The Lovers&rdquo;, de 1928, do pintor surrealista belga Ren&eacute; Magrite, para ilustrar este artigo. Magrite tamb&eacute;m era metido a fil&oacute;sofo e sabia muito bem que os amantes s&oacute; v&ecirc;em o pr&oacute;prio amor&#8230; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img width=\"240\" src=\"images\/stories\/amorecego.jpg\" alt=\"amorecego.jpg\"  class=\"alignleft\" title=\"amorecego.jpg\" \/>Dizem que o amor &eacute; cego, que n&atilde;o tem l&oacute;gica ou explica&ccedil;&atilde;o. Mas ser&aacute; que &eacute; isso mesmo? <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_s2mail":"no"},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/245"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=245"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1267,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/245\/revisions\/1267"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}