{"id":324,"date":"2008-05-03T17:53:14","date_gmt":"2008-05-03T17:53:14","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-11-04T23:41:24","modified_gmt":"2010-11-04T23:41:24","slug":"discutindo-a-relacao-com-a-morte-1","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/?p=324","title":{"rendered":"Discutindo a rela\u00e7\u00e3o com a morte"},"content":{"rendered":"<p>Um Cavaleiro volta para sua terra natal ap&oacute;s as Cruzadas ao mesmo tempo em que a Peste Negra est&aacute; varrendo o pa&iacute;s. Quando se aproxima de casa, a Morte lhe aparece e diz que chegou a hora dele. O Cavaleiro ent&atilde;o desafia a Morte para uma partida de xadrez cujo pr&ecirc;mio final ser&aacute; a sua vida. Durante o jogo, o homem tamb&eacute;m busca respostas sobre a vida, a morte e exist&ecirc;ncia de Deus.&nbsp; <\/p>\n<p>No filme, o personagem do cavaleiro encara a morte de frente e, mesmo que o desfecho do jogo j&aacute; seja conhecido por ambos antes mesmo de ele ser iniciado, usa de todas as armas poss&iacute;veis para adiar o derradeiro encontro com a derrota.<\/p>\n<p>Na vida, jogamos o mesmo xadrez, aguardando pelo mesmo e &uacute;nico resultado poss&iacute;vel. A diferen&ccedil;a &eacute; que preferimos jogar de olhos vendados, movendo nossos pe&otilde;es, bispos, cavalos e torres no escuro e, portanto, a esmo. Insistimos em n&atilde;o reconhecer nosso advers&aacute;rio, jogando a partida como se ele n&atilde;o existisse.<\/p>\n<p>Inconscientes dos passos da morte, no entanto, nos nutrimos da ilus&atilde;o de nos pensarmos imortais. E vivemos como imortais, imortalizando a todos que amamos e queremos por perto. Mas n&oacute;s, como nossos amigos, bem como nossos inimigos, estamos condenados ao xeque-mate. Quando de repente o movimento fatal se aproxima de algu&eacute;m de nossa conviv&ecirc;ncia ou admira&ccedil;&atilde;o, nos chocamos com a vis&atilde;o da morte. Nos assustamos com sua realidade t&atilde;o palp&aacute;vel e t&atilde;o pr&oacute;xima. Queremos v&ecirc;-la como uma entidade separada de n&oacute;s, distante e inalcan&ccedil;&aacute;vel. Mas ela est&aacute; aqui, neste momento, enquanto escrevo e voc&ecirc; l&ecirc; estas linhas que tamb&eacute;m um dia ir&atilde;o se perder no lago escuro do esquecimento. <\/p>\n<p>A morte est&aacute; aqui porque ela &eacute; parte da vida. Como vasos que se comunicam, enquanto um esvazia, o outro enche. O vaso que enche &eacute; o vaso que n&atilde;o queremos ver. Caminhamos para a frente, mas mantemos nossos olhos voltados para tr&aacute;s. O paradoxo &eacute; que, ao fazermos isso, nos anestesiamos para o que vale &agrave; pena de fato: o tapete vermelho e reluzente que se desenrola sob nossos p&eacute;s, a vida pulsante do presente, a poderosa fonte de energia que flui de um vaso para o outro. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso caminhar de olhos abertos, nos apropriando desse duelo como algo natural e positivo, posto que a morta est&aacute; sempre a nos lembrar da import&acirc;ncia de viver completamente cada instante, de n&atilde;o desperdi&ccedil;ar nenhum prazer, de sentir todos os sabores e aromas, de tocar todas as texturas e admirar todas as cores.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a morte &eacute; nosso grande referencial, nossa maior mestra. Sem a exist&ecirc;ncia do mal, n&atilde;o saber&iacute;amos reconhecer o bem. Sem escolhas erradas, nunca aprender&iacute;amos as certas. Sem a morte, n&atilde;o saber&iacute;amos da import&acirc;ncia da vida. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que antigas sociedades secretas cultuavam &ndash; muitas ainda o fazem hoje em dia &ndash; o anjo negro da morte como verdadeiro mensageiro da vida,&nbsp; esse agricultor que vai colhendo as flores no caminho e deixando sementes para outras que est&atilde;o por vir. Vamos fazer como o cavaleiro de Bergman: convidemos a Morte para uma partida de xadrez. Quem sabe assim ganhemos um pouco mais de tempo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img width=\"250\" src=\"images\/stories\/morte1.jpg\" alt=\"morte1.jpg\"  class=\"alignleft\" title=\"morte1.jpg\" \/>O cineasta sueco Ingrid Bergman, falecido em julho de 2007, fez um filme sobre o duelo de um cavaleiro com a morte. O &ldquo;S&eacute;timo Selo&rdquo; data de 1957, mas, at&eacute; hoje, &eacute; considerado uma das maiores obras-primas do cinema, um filme desconfortavelmente provocante, estruturado em torno de uma macabra partida de xadrez.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_s2mail":"no"},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/324"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=324"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/324\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1308,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/324\/revisions\/1308"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}