{"id":378,"date":"2008-12-07T17:33:23","date_gmt":"2008-12-07T17:33:23","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-11-03T22:55:51","modified_gmt":"2010-11-03T22:55:51","slug":"qual-e-o-segredo-das-relacoes-duradouras-versao-masculina-cheia-de-fe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/?p=378","title":{"rendered":"Qual \u00e9 o segredo das rela\u00e7\u00f5es duradouras? (vers\u00e3o masculina cheia de f\u00e9)"},"content":{"rendered":"<p>Antes que se crie qualquer expectativa, j&aacute; vou logo antecipar que n&atilde;o fa&ccedil;o a menor id&eacute;ia de qualquer receita que pudesse ser aplicada para que uma rela&ccedil;&atilde;o entre duas pessoas se mantivesse viva ao longo dos anos. <\/p>\n<p>Para escrever a coluna desta semana, resolvi, inclusive, pedir uma ajuda para minha esposa. Ela tamb&eacute;m teve que pensar um bocado antes de me passar qualquer pista &uacute;til a este tema. E o que ela trouxe nem de longe me surpreendeu. Confesso que esperava alguma grande descoberta que fizesse deste texto uma esp&eacute;cie de guia de auto-ajuda aos casais que se fazem a mesma pergunta. Cl&aacute;udia simplesmente sugeriu que o que faz uma rela&ccedil;&atilde;o durar &eacute; a supera&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o de curto prazo pela vis&atilde;o de longo prazo. <\/p>\n<p>Segundo ela, a satisfa&ccedil;&atilde;o de nossos desejos a qualquer custo pode ser um atentado fatal a um relacionamento. Isso porque se pressup&otilde;e que, para satisfazer nossos desejos, precisar&iacute;amos de outra pessoa al&eacute;m de nossa companheira ou companheiro. O que Cl&aacute;udia est&aacute; trazendo, na verdade, &eacute; o medo da trai&ccedil;&atilde;o. Porque nada nos impede de realizar todos os nossos desejos com a pessoa amada, mesmo que, em alguns casos, precisemos recorrer &agrave; fantasia. <\/p>\n<p>A verdadeira amea&ccedil;a vem do desejo pelo novo e pelo perigo que ele representa. O novo ser&aacute; sempre uma amea&ccedil;a ao velho, porque &eacute; da natureza deste &uacute;ltimo resistir a se reciclar. O que equivale dizer que nenhum relacionamento ser&aacute; duradouro se ele n&atilde;o se transformar, se ele n&atilde;o deixar que o novo inocule seu v&iacute;rus revolucion&aacute;rio. &Eacute; como descreve t&atilde;o bem Gilberto Gil: &ldquo;tem que morrer pra germinar&rdquo;. <\/p>\n<p>Um relacionamento que se perpetua &eacute; tamb&eacute;m um relacionamento cheio de mortes. Certa vez, Stephen Kanitz escreveu em sua coluna semanal na Veja que ele havia casado diversas vezes&#8230; com a mesma mulher. Kanitz sabe das coisas. <\/p>\n<p>Quando olho para meu relacionamento de 14 anos com Cl&aacute;udia, posso identificar v&aacute;rios momentos de ruptura e, sim, algumas mortes, de onde renascemos diferentes. Um novo relacionamento surgiu ap&oacute;s cada uma dessas mortes. E n&atilde;o quero iludir ningu&eacute;m nem florear dizendo que o novo relacionamento sempre foi melhor do que o falecido. Quando me lembro de nossos primeiros anos, vejo um per&iacute;odo de uma intensidade e de uma paix&atilde;o insuper&aacute;veis. N&atilde;o, definitivamente, os relacionamentos que surgiram depois n&atilde;o foram melhores. Pelo menos, n&atilde;o foram melhores sob a &oacute;tica da paix&atilde;o. Mas a paix&atilde;o &eacute; como a adrenalina: precisamos de ambas para viver, por&eacute;m, em excesso, elas nos matam. <\/p>\n<p>O novo, &agrave;s vezes, aparece a nossa frente disfar&ccedil;ado, sim, de um desejo de trai&ccedil;&atilde;o. Mas o novo tamb&eacute;m pode surgir quando o relacionamento cai na vala comum da rotina, quando n&atilde;o vemos mais nossa companheira ou companheiro como um ser humano, mas como uma esp&eacute;cie de coisa. Porque um ser humano &eacute; uma fonte inesgot&aacute;vel de inova&ccedil;&atilde;o, na medida em que todo ser humano &eacute; uma entidade mutante, que est&aacute; o tempo todo sendo influenciada pelas experi&ecirc;ncias e pelo meio em que vive. A rotina &eacute; um convite para que o novo se manifeste, para que ele se liberte da acomoda&ccedil;&atilde;o e volte a dar sabor para o relacionamento. <\/p>\n<p>Um relacionamento igual todos os dias &eacute; como a receita de comida repetida ad eternum. N&atilde;o h&aacute; mais sabor, porque o paladar j&aacute; se viciou. <\/p>\n<p>Se o relacionamento est&aacute; assim, insosso, ou surge uma amea&ccedil;a externa para ajud&aacute;-lo a se renovar, algo que nem todo o casal &eacute; maduro o suficiente para encarar, ou o pr&oacute;prio casal, consciente de seu estado let&aacute;rgico, cria sua pr&oacute;pria trinca na barragem. <\/p>\n<p>Esse movimento pr&oacute;-ativo pode se dar por meio de algo t&atilde;o simples quanto inventar alguma coisa nova para fazer juntos &#8211; por exemplo, se matricular num curso de dan&ccedil;a de sal&atilde;o ou fazer uma viagem para um lugar inusitado, como o Jalap&atilde;o &ndash; ou dar um breque na in&eacute;rcia provocando uma crise. Pois &eacute;, ningu&eacute;m gosta de viver uma crise, mas elas est&atilde;o a&iacute; para chacoalhar as estruturas, principalmente, as que precisam mudar. <\/p>\n<p>Por isso, quando a pr&oacute;xima crise chegar a seu relacionamento, antes de sair por a&iacute; reclamando que a vida &eacute; uma merda, agrade&ccedil;a por ter sido aben&ccedil;oado com uma oportunidade para escolher, como sugere Claudia, a vis&atilde;o de longo prazo ao inv&eacute;s da satisfa&ccedil;&atilde;o de curto prazo. Porque uma coisa eu posso dizer por experi&ecirc;ncia: um relacionamento feliz e duradouro torna a vida muito mais prazeirosa e interessante de ser vivida, fazendo de cada pequena morte um ped&aacute;gio&nbsp;bem mais leve do que se imagina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"150\" src=\"images\/stories\/rotina2.jpg\" alt=\"rotina2.jpg\" height=\"200\" class=\"alignleft\" title=\"rotina2.jpg\" \/>Excluindo-se as rela&ccedil;&otilde;es que se mant&eacute;m &agrave; custa do comodismo, o que explicaria uma rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre duas pessoas superar todas as evid&ecirc;ncias contr&aacute;rias e se perpetuar indefinidamente? <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_s2mail":"yes"},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/378"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=378"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":934,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/378\/revisions\/934"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}