{"id":532,"date":"2010-05-29T23:30:20","date_gmt":"2010-05-29T23:30:20","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-11-01T21:36:37","modified_gmt":"2010-11-01T21:36:37","slug":"o-paradoxo-da-auto-desqualificacao-pelo-medo-da-rejeicao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/?p=532","title":{"rendered":"O paradoxo da auto-desqualifica\u00e7\u00e3o pelo medo da rejei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\nPor que \u00e9 que, quando algu\u00e9m faz tudo para agradar ao outro, costuma obter exatamente o contr\u00e1rio?<br \/>\n<br \/>\nProcuramos agradar a quem amamos . Procuramos agradar a quem, de alguma forma, desejamos aceita\u00e7\u00e3o. A m\u00e3e, o pai, uma pessoa por quem estamos apaixonados. Um chefe, um cliente, algu\u00e9m que nos recompensa por algo que fazemos para ele ou ela.<br \/>\n<br \/>\nFa\u00e7a isso e ter\u00e1 o que quer. Fa\u00e7a aquilo e ser\u00e1 feliz. O tempo todo, \u00e9 isso o que ouvimos. Consideramos natural, portanto, que seja isso o que fa\u00e7amos.  Fazemos algo n\u00e3o necessariamente porque queiramos faz\u00ea-lo ou como parte do nosso modo intr\u00ednseco de operar. Fazemos algo na expectativa de se obter algo em troca.<br \/>\n<br \/>\nEm muitos dom\u00ednios, estabelecemos regras para essa troca, um combinado entre as partes. \u00c9 f\u00e1cil observar essa din\u00e2mica em nossa vida profissional, onde trocamos parte de nosso tempo por dinheiro, reconhecimento e sentimento de realiza\u00e7\u00e3o. E, mesmo que essa troca seja regulada por um contrato de trabalho e planos de metas estabelecidos entre as partes, n\u00e3o raras vezes nos frustramos. Nenhum contrato ou plano \u00e9 capaz de cobrir tudo.<br \/>\n<br \/>\nContratos e planos s\u00e3o feitos para formalizar o que as partes envolvidas consideram essencial. No entanto, \u00e9 justamente o essencial que costuma ficar de fora. Fica de fora porque no mundo em que vivemos, o consideramos, consciente ou insconscientemente, um pressuposto b\u00e1sico &#8211; ele, o amor.<br \/>\n<br \/>\nEm qualquer rela\u00e7\u00e3o em que estejamos, esperamos ser amados. O amor pode se vestir de respeito, reconhecimento, aceita\u00e7\u00e3o, escuta, admira\u00e7\u00e3o, apoio, desejo. N\u00e3o importa a roupa, amor \u00e9 amor, e \u00e9 ele que sustenta ou n\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o. Qualquer rela\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o exista amor em quaisquer de suas formas est\u00e1 fadada a deixar de existir, porque ningu\u00e9m deseja verdadeiramente viver no mal-estar. E, mesmo assim, quando escolhe viver em desamor, acaba por adoecer, porque se coloca contra a pr\u00f3pria natureza de qualquer ser, que \u00e9 se auto-produzir continuamente num processo de adapta\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre ele e o meio, buscando manter seu pr\u00f3prio bem-estar. Esse \u00e9 um fundamento biol\u00f3gico, que sustenta a forma de operar de qualquer ser vivo.<br \/>\n<br \/>\nNo entanto, ao colocarmos nosso bem-estar sob depend\u00eancia do outro, acabamos, inconscientemente, desregulando esse mecanismo. Ao fazer aquilo que pensamos que o outro espera de n\u00f3s, muitas vezes, deixamos de fazer aquilo que se conecta com nossa pr\u00f3pria ess\u00eancia como parte de nossa forma de ser e estar no mundo. Nos abandonamos para ser amados. Abandonamos nossas cren\u00e7as, nossos valores. Abandonamos nosso amor-pr\u00f3prio. Abandonamos, dessa maneira, o que nos define como indiv\u00edduos. E quando nos abandonamos na expectativa de sermos amados pelo outro, como podemos nos sentir amados? O que ou quem \u00e9 amado pelo outro se nos ausentamos dessa rela\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<br \/>\nEm nosso lugar, colocamos um fantoche se relacionando com o outro e, depois, nos espantamos quando o outro se enamora do fantoche e n\u00e3o de n\u00f3s! Mais do que isso, cobramos do outro o amor que acreditamos merecer por tamanho esfor\u00e7o. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser o que n\u00e3o se \u00e9, fazer o que n\u00e3o se quer!<br \/>\n<br \/>\nCegos e ressentidos pelo sacrif\u00edcio de nosso pr\u00f3prio ser, nem conseguimos refletir sobre a impossibilidade que n\u00f3s mesmos criamos, ao nos escondermos, de o outro nos amar. Como amar a quem n\u00e3o se conhece?<br \/>\n<br \/>\nSe o outro, no entanto, n\u00e3o \u00e9 capaz de amar o que somos, por que escolhemos nos manter nessa rela\u00e7\u00e3o?  Por que nos satisfazemos com amores de mentira, amores de fantoches, amores inventados? O que ganhamos com a ilus\u00e3o de sermos amados?<br \/>\n<br \/>\nQuando me fa\u00e7o essas perguntas, percebo de imediato o enorme esfor\u00e7o que depreendo para manter esse processo de auto-engano. Para ser honesto, sinto-me como um de meus cachorros abanando o rabo e esperando o desejado mimo. N\u00e3o sei se isso \u00e9 doloroso para um cachorro, mas certamente \u00e9 para mim.<br \/>\n<br \/>\nQuando vou mais fundo nessa reflex\u00e3o, posso ver duas formas diferentes de operar. As duas est\u00e3o relacionadas n\u00e3o ao que o outro sente &#8211; uma inc\u00f3gnita e algo de responsabilidade do outro -, mas ao que eu sinto que o outro sente. Em uma delas, opero a partir de meu sentimento de que o outro n\u00e3o me ama e a\u00ed procuro agir de um jeito que eu penso que o outro espera que eu aja. Fa\u00e7o coisas para chamar a aten\u00e7\u00e3o do outro para mim, me exibo, exatamente como meus cachorros fazem para mim. N\u00e3o fa\u00e7o a menor id\u00e9ia se meus cachorros procuram me manipular com seus truques, mas tenho certeza de que \u00e9 isso o que fa\u00e7o com os meus truques.<br \/>\n<br \/>\nSe eu sei que trapaceio com o outro, por que ele ou ela n\u00e3o saberia? Pergunte a si mesmo e, provavelmente, voc\u00ea se lembrar\u00e1 de alguma situa\u00e7\u00e3o em que voc\u00ea percebeu algu\u00e9m tentando te agradar. Falso, pedante, puxa-saco s\u00e3o alguns dos adjetivos nada amorosos que aparecem nessas horas.  Agora, volte-se para si mesmo e lembre-se das vezes em que voc\u00ea tentou agradar algu\u00e9m. Voc\u00ea fez algo na expectativa de ser amado e o que acabou obtendo? Desqualifica\u00e7\u00e3o. E o pior da hist\u00f3ria \u00e9 que, no fundo, voc\u00ea sabe que n\u00e3o foi o outro que lhe desqualificou&#8230;<br \/>\n<br \/>\nNa outra forma que observo de meu operar, opero a partir de meu sentimento de que o outro me ama e a\u00ed n\u00e3o sinto mais qualquer est\u00edmulo em agir de um jeito que eu penso que o outro espera que eu aja.  Pelo contr\u00e1rio, ajo naturalmente, sem pensar em certo ou errado, sem receio de que algo que eu fale ou fa\u00e7a ameace minha rela\u00e7\u00e3o com o outro. Opero a partir da pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o de ser amado e, com isso, me pr\u00e9-autorizo a ser simplesmente o que eu sou. Sinto isso como algo libertador, na medida em que n\u00e3o h\u00e1 qualquer esfor\u00e7o, s\u00f3 fluir numa entrega espont\u00e2nea.<br \/>\n<br \/>\nNessa forma de operar, observo claramente a manifesta\u00e7\u00e3o de meus maiores talentos e de minhas potencialidades como ser humano. No entanto, quando paro para pensar sobre essa forma de operar, tamb\u00e9m percebo que corro riscos. E se o outro n\u00e3o gostar do que encontrar?<br \/>\n<br \/>\nO outro pode realmente n\u00e3o gostar do que eu sou, mas n\u00e3o me resta outra alternativa, pois o  melhor de mim est\u00e1 no que sou e n\u00e3o numa farsa, numa fic\u00e7\u00e3o sobre mim. Se o melhor de mim n\u00e3o for suficiente para o outro me amar verdadeiramente, nada ser\u00e1.<br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img class=\"alignright\" alt=\"amor_ilusao\" width=\"300\" src=\"images\/stories\/amor_ilusao.jpg\" \/>Por que \u00e9 que, quando algu\u00e9m faz tudo para agradar ao outro, costuma obter exatamente o contr\u00e1rio?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_s2mail":"yes"},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/532"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=532"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/532\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":616,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/532\/revisions\/616"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}