{"id":536,"date":"2010-06-12T02:13:05","date_gmt":"2010-06-12T02:13:05","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-11-01T21:29:38","modified_gmt":"2010-11-01T21:29:38","slug":"mulheres-super-poderosas-e-os-meninos-perdidos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/?p=536","title":{"rendered":"Mulheres super poderosas e os meninos perdidos"},"content":{"rendered":"<p>\nNunca as mulheres reclamaram tanto de n\u00f3s, homens. E o foco j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais apenas nossa participa\u00e7\u00e3o nas tarefas dom\u00e9sticas e na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, cobran\u00e7as com as quais nos acostumamos e, c\u00e1 entre n\u00f3s, tiramos de letra perto dos novos desafios que enfrentamos. Vivemos dias de medo. O macho sempre dispon\u00edvel anda cabisbaixo, sem o brilho de outrora.  E as mulheres se perguntam o que teria acontecido com o guerreiro destemido, o ca\u00e7ador implac\u00e1vel que agora se esconde pelos cantos, acanhado, como um menino t\u00edmido, impotente e indefeso.<br \/>\n<br \/>\nJ\u00e1 h\u00e1 alguns anos praticando a discuss\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o &#8211; \u201cDR\u201d para os \u00edntimos -, nem sempre por livre e espont\u00e2nea vontade, tenho aprendido um bocado sobre o universo feminino.<br \/>\n<br \/>\nConversando e convivendo com mulheres, aprendi, por exemplo, a n\u00e3o perguntar sobre a TPM quando elas apresentam um inesperado comportamento depressivo, agressivo e\/ou hiper-sens\u00edvel, mesmo que ele realmente tenha sido causado pela TPM.<br \/>\n<br \/>\nAprendi a n\u00e3o aceitar \u201cest\u00e1 tudo bem\u201d como resposta quando o olhar diz exatamente o contr\u00e1rio e praticamente implora por um \u201cdecifra-me ou te devoro\u201d.<br \/>\n<br \/>\nAprendi que as mulheres precisam tanto de carinho quanto de \u201cpegada\u201d, e que, portanto, demandam igualmente amor rom\u00e2ntico e sexo selvagem, e que preciso estar atento aos sinais para saber quando recorrer a cada um e como dosar um e outro. Ali\u00e1s, aprendi que basta apertar um \u00fanico bot\u00e3o para subirmos \u00e0s paredes, enquanto mulheres s\u00e3o um intrincado piano de cauda que m\u00e3os rudes podem facilmente desafinar.<br \/>\n<br \/>\nE, mais recentemente, tenho aprendido a conviver com um tipo de mulher que, provavelmente, sempre existiu, mas que, no entanto, parece definitivamente ter sa\u00eddo da toca, emancipando-se de uma posi\u00e7\u00e3o historicamente subalterna para assumir seu papel de co-protagonista da esp\u00e9cie humana. Falo da mulher que estuda, trabalha, inova, se rebela, compete, conquista, se arruma, se entrega, luta, cria, transforma e que \u00e9 sujeito de tantos outros verbos que se agiganta de tal forma a ponto de parecer um ser maior, maior em tamanho e em poder, do que o homem.<br \/>\n<br \/>\nA queixa atual mais comum de minhas amigas solteiras \u00e9 a falta de iniciativa masculina, sua ina\u00e7\u00e3o absoluta mesmo frente aos sinais mais evidentes de interesse feminino. Uma delas me contou que um homem a paquera h\u00e1 meses, mas nada de a convidar para sair. Ela pergunta se deve passar das indiretas para as diretas&#8230;<br \/>\n<br \/>\nUma leitora deixou um coment\u00e1rio sobre um post descompromissado que escrevi dois anos atr\u00e1s sobre algumas poss\u00edveis raz\u00f5es da broxada masculina perguntando o que fazer para que o parceiro recuperasse a desejada ere\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que cobr\u00e1-lo n\u00e3o estava surtindo efeito&#8230;<br \/>\n<br \/>\nTomar iniciativa, partir para o ataque, cobrar, pressionar, dominar parecem justamente ser os verbos que mais amea\u00e7am a virilidade masculina. Amea\u00e7am porque assim como o velho e chulo \u201cd\u00e1 ou desce\u201d, eram exclusividade do mundo dos homens, tanto quanto as cantadas e, para voltar mais longe no tempo,  a corte. Quando a mulher emprega os mesmos verbos e assume atitudes antes restritas ao nosso g\u00eanero, \u00e9 como se n\u00f3s, homens, sent\u00edssemos o gostinho de nosso pr\u00f3prio veneno e, provavelmente, como ocorria com as mulheres, nos apequenamos, fragilizados no papel de oprimidos.  No entanto, n\u00e3o se atinge com esse movimento o desejado equil\u00edbrio, a sonhada igualdade de tratamento, t\u00e3o necess\u00e1ria ao exerc\u00edcio do di\u00e1logo, \u00fanico caminho para se concretizar o verdadeiro encontro. Como um p\u00eandulo, o poder apenas muda de lado, do patriarcal ao matriarcal, mantendo-se as rela\u00e7\u00f5es na base do opressor-oprimido, entre um que age e outro que reage.<br \/>\n<br \/>\nO que minha amiga e a leitora devem fazer, por\u00e9m, para que n\u00e3o vivam na eterna insatisfa\u00e7\u00e3o de seus anseios, auto-censuradas no receio de reproduzirem uma rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o? Anularem-se, mais uma vez, n\u00e3o \u00e9 o caminho, pois tudo o que algu\u00e9m obt\u00e9m ao se anular para evitar um conflito \u00e9 transferir a press\u00e3o exercida sobre o outro para si mesmo. A mulher que disfar\u00e7a seu poder posando de fr\u00e1gil pode at\u00e9 abrir caminho para o ressurgir do guerreiro conquistador, conferindo \u00e0 mulher que procura companhia  a concretiza\u00e7\u00e3o de seu objetivo. No entanto, sempre que entramos numa rela\u00e7\u00e3o fingindo ser um outro, criamos a situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel do ator em cena em tempo integral.<br \/>\n<br \/>\nO que todo mundo quer \u00e9 ser amado pelo que se \u00e9, pois s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ser verdadeiramente a si mesmo. Mulheres super poderosas merecem, portanto, ser amadas por homens super poderosos. Por\u00e9m ningu\u00e9m tem super poderes o tempo todo e, atr\u00e1s de um menino perdido, pode se esconder um homem que s\u00f3 uma mulher que assume sua ess\u00eancia \u00fanica, o poder feminino, \u00e9 capaz de despertar.<br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img class=\"alignright\" alt=\"mulher_super_poderosa\" width=\"300\" src=\"images\/stories\/mulher_super_poderosa.jpg\" \/>Nunca as mulheres reclamaram tanto de n\u00f3s, homens. E o foco j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais apenas nossa participa\u00e7\u00e3o nas tarefas dom\u00e9sticas e na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, cobran\u00e7as com as quais nos acostumamos e, c\u00e1 entre n\u00f3s, tiramos de letra perto dos novos desafios que enfrentamos. Vivemos dias de medo. O macho sempre dispon\u00edvel anda cabisbaixo, sem o brilho de outrora.  E as mulheres se perguntam o que teria acontecido com o guerreiro destemido, o ca\u00e7ador implac\u00e1vel que agora se esconde pelos cantos, acanhado, como um menino t\u00edmido, impotente e indefeso.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_s2mail":"yes"},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/536"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=536"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/536\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":611,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/536\/revisions\/611"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}