{"id":538,"date":"2010-06-27T19:56:33","date_gmt":"2010-06-27T19:56:33","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-11-01T21:25:40","modified_gmt":"2010-11-01T21:25:40","slug":"coracoes-sequeestrados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/?p=538","title":{"rendered":"Cora\u00e7\u00f5es sequestrados"},"content":{"rendered":"<p>\nO que ser\u00e1 que nos leva a aceitar relacionamentos onde n\u00e3o somos respeitados, admirados, ouvidos, ou seja, onde n\u00e3o somos verdadeiramente amados?<br \/>\n<br \/>\nVoc\u00ea j\u00e1 viveu amores plat\u00f4nicos? Eu os vivi aos montes durante minha adolesc\u00eancia. Paralisado por uma timidez cr\u00f4nica, n\u00e3o ousava declarar minha paix\u00e3o, o que me levava a sofrer as dores do amor eternamente idealizado e nunca correspondido. Conhe\u00e7o gente que, depois de grande, continua vivendo amores plat\u00f4nicos no sil\u00eancio solit\u00e1rio de sua mudez. Pior, no entanto, que o amor plat\u00f4nico \u00e9 o amor que simula a s\u00edndrome de Estocolmo.<br \/>\n<br \/>\nS\u00edndrome de Estocolmo \u00e9 o nome que foi dado \u00e0 doen\u00e7a que certas v\u00edtimas de seq\u00fcestro desenvolvem ao buscar se identificar com seu raptor ou conquistar sua simpatia.<br \/>\n<br \/>\nNa s\u00edndrome de Estocolmo, a v\u00edtima come\u00e7a por se identificar, afetiva e emocionalmente, com seu seq\u00fcestrado, temendo algum tipo de retalia\u00e7\u00e3o ou viol\u00eancia e buscando assim um certo afastamento emocional da realidade perigosa e violenta a qual a pessoa est\u00e1 sendo submetida. Vivendo um stress f\u00edsico e emocional extremo, pequenos gestos gentis dos captores s\u00e3o, ent\u00e3o, amplificados, provocando um complexo e d\u00fabio comportamento simult\u00e2neo de afetividade e \u00f3dio.<br \/>\n<br \/>\nDa mesma forma, algumas pessoas criam, na maior parte das vezes, de forma inconsciente, estrat\u00e9gias ilus\u00f3rias para se manter em relacionamentos onde n\u00e3o s\u00e3o amadas. Seja por medo de ficarem sozinhas, para evitar puni\u00e7\u00f5es ou simplesmente para ficar perto, do jeito que for, da pessoa amada, acabam vitimadas por essa perversa s\u00edndrome que corr\u00f3i lentamente sua auto-estima.<br \/>\n<br \/>\nObservo esse tipo de comportamento, especialmente, nas leitoras que me escrevem perguntando o que fazer frente a companheiros j\u00e1 comprometidos com outras pessoas ou que n\u00e3o correspondem ao seu amor, enfim, em relacionamentos onde, de alguma forma, as pessoas deixam seq\u00fcestrar seu cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso de Clara, que diz ter apenas 15 anos e estar envolvida com um homem casado de 26 anos, para quem n\u00e3o tem coragem de declarar seu amor. Afora o fato de a rela\u00e7\u00e3o entre eles ser considerada criminosa aos olhos da lei, em raz\u00e3o de Clara ser menor idade, o adult\u00e9rio tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00e1tica condenada pela igreja, ampliando potencial e exponencialmente o sentimento de culpa da v\u00edtima. S\u00f3 que, como qualquer pessoa que preza a si mesma, Clara deveria escolher relacionar-se com algu\u00e9m que, de fato, seja capaz de am\u00e1-la ou, pelo menos, que se mostre dispon\u00edvel para que isso ocorra.<br \/>\n<br \/>\nOutro caso que se apresenta complicado foi descrito pela leitora Lusiana, que diz ter se apaixonado por uma amiga casada.  \u201cComo competir com algu\u00e9m que ela conhece h\u00e1 uma vida, algu\u00e9m que sempre esteve ao seu lado, que a ama?\u201d No fundo, a resposta est\u00e1 nas pr\u00f3prias perguntas que ela se faz. Necessidade de competir pelo amor de algu\u00e9m j\u00e1 deveria ser um sinal claro de que esse algu\u00e9m n\u00e3o nos ama&#8230;<br \/>\n<br \/>\nNo entanto, como na s\u00edndrome de Estocolmo, na maioria das vezes, n\u00e3o temos consci\u00eancia dos jogos que praticamos na vida amorosa.<br \/>\n<br \/>\nCego de amor n\u00e3o \u00e9 express\u00e3o \u00e0 toa. Quem est\u00e1 cego de amor n\u00e3o enxerga nada al\u00e9m do pr\u00f3prio amor, como se o amor fosse um entidade independente do outro. O escritor modernista Mario de Andrade dizia que o amor \u00e9 verbo intransitivo, ou seja, n\u00e3o depende de qualquer alvo ou objetivo. Mas, sem o amor do outro, estamos de  novo no amor plat\u00f4nico, o amor idealizado que nunca se concretiza.<br \/>\n<br \/>\nNa s\u00edndrome de Estocolmo, a v\u00edtima n\u00e3o se torna totalmente alheia \u00e0 sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o. Parte de sua mente conserva-se alerta ao perigo e \u00e9 isso que faz com que a maioria tente escapar do sequestrador em algum momento, mesmo em casos de cativeiro prolongado. Da mesma forma, qualquer um pode tomar consci\u00eancia de relacionamentos idealizados. Para isso, por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio encarar a desilus\u00e3o do auto-engano, algo que costuma doer ainda mais do que o amor n\u00e3o correspondido, posto que nos damos conta de nossa pr\u00f3pria responsabilidade sobre as desgra\u00e7as que vivemos, e isso, sim, d\u00f3i e d\u00f3i muito.<br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img class=\"alignleft\" alt=\"loucura\" width=\"300\" src=\"images\/stories\/loucura.jpg\" \/>O que ser\u00e1 que nos leva a aceitar relacionamentos onde n\u00e3o somos respeitados, admirados, ouvidos, ou seja, onde n\u00e3o somos verdadeiramente amados?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_s2mail":"yes"},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/538"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=538"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/538\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":605,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/538\/revisions\/605"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.discutindoarelacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}