"Para amar uma mulher, mais do que entendê-la,
mais que conhecê-la, mais que possui-la,
é preciso honrar a obra de Deus
e merecer um sorriso escondido,
e também ser possuído e, ainda assim, também ser viril...
Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la, há de ser conquistado... todo tomado, e com um pouco de sorte, também ser amado."
Escrito por Carlos Drummond de Andrade Leia mais »
Presenciei uma cena no aeroporto que me deixou boquiaberto. Duas enormes filas se formaram em direção à triagem da alfândega na chegada dos vôos internacionais: uma fila vinha diretamente da imigração e outra do Freeshop. De repente, elas se encontravam e, a partir daí, só se poderia seguir numa única fila. Nessa encruzilhada, várias pessoas se hostilizavam, justificando a fila em que estavam como a fila correta. Um homem, aparentemente, de origem chinesa, se indignou com o fato de pessoas vindas da outra fila estarem entrando na sua frente. Uma delas, um brasileiro, resolveu comprar a briga com o estrangeiro e, com dedo em riste, disparou: “Shut up! You’re in my country!”
Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
“Em geral, diante de situações difíceis costumamos apelar para dois tipos de auxílio: a) o diálogo com amigos e familiares. Aqui predominam a argumentação racional, o reasseguramento e as tentativas de persuasão; b) a psicoterapia em suas várias formas. Mas há uma terceira opção, que surge quando a primeira já não é eficaz e a segunda ainda não é necessária. Consiste em criar um âmbito no qual seja mais fácil reconhecer nossas vulnerabilidades e aprender a lidar com elas. Essa circunstância produz uma diminuição do autoritarismo e um aumento das possibilidades de ajuda mútua. Tais ambientes se desenvolvem, por exemplo, com atividades de pequenos grupos de autogestão, e têm sido chamados de espaços de convivência e interação para o desenvolvimento humano.”
“Olha um corpo estendido no chão”, aponta, assustado, meu filho. A moto toda retorcida, irreconhecível. Na verdade, foram dois acidentes com vítimas num espaço de 48 horas. Dois corpos cobertos apenas por uma lona plástica. Vidas que se foram, mas... para onde foram?
Tem gente que ainda acredita que liderança é um atributo genético ou um talento que só alguns poucos eleitos são capazes de desenvolver. Cuidado: gerenciar não é o mesmo que liderar.
Meus filhos são atletas de Badminton, uma modalidade esportiva praticada com uma raquete de cabo comprido e uma peteca. Eles jogam Badminton, mas poderia ser futebol, tênis ou judô. Quando eles entram em quadra, eu vou junto. Como não tenho mais o mesmo vigor de meus 20 e poucos anos, sofro tanto que ainda acabo um campeonato no hospital.
Os casais reclamam da falta de diálogo, que não são ouvidos uns pelos outros. Como somos seres basicamente relacionais, não ser ouvido pelo outro é como se a gente não existisse. E não ouvir o outro tem, portanto, o mesmo efeito, o de não reconhecer a legitimidade do outro, um caminho certo para que qualquer relação chegue ao fim.
Como uma inesperada revoada de milhares de libélulas numa tarde quente de verão pode ser motivo para celebrar a vida.


